Será que a experienciação de um estado hipnótico ocorre somente sob a influência de um hipnotizador? Será que é uma condição que posso alcançar por mim mesmo? Ou será que ela surge na vida de todos os dias, sem que dela tenhamos consciência?

Nunca lhe aconteceu estar tão focado no que está a fazer, ao ponto de se “desligar” daquilo que o rodeia? Lembra-se da última vez que foi ao cinema e riu a bandeiras despregadas, cerrou os punhos de raiva ou os olhos ficaram marejados de lágrimas… e, por momentos, esqueceu-se de que dezenas de pessoas se encontravam ao seu redor?

Mas, se prefere a leitura ao cinema, quantas vezes se deixou envolver numa história, como se de uma personagem se tratasse, e, ao observar o relógio, percebe que passou, sem conta, demasiado tempo?

Recorda-se do que acontece quando toca aquela música e tudo pára, e relembra, e, por vezes, revive, um acontecimento passado? E aquela música que lhe invade o corpo e a alma,  à qual não resiste devolver um movimento de anca?

E, quando faz amor, e se permite desligar o “complicómetro” da mente, para usufruir plenamente do êxtase dos sentidos?

E, daquela vez que ia a conduzir e foi obrigado a parar no semáforo vermelho e, por momentos, a mente distraiu-se num qualquer devaneio, do qual só despertou quando ouviu a buzinadela do condutor de trás, a informar que o semáforo já estava verde?

E naquele momento, em que inesperadamente, recebeu aquela notícia dolorosa e se viu obrigado, como se de um autómato se tratase, a executar objetivamente e com diligência todas as tarefas necessárias, para posteriormente sucumbir ao cansaço e à dor?

E, concerteza, ainda se lembra daquele professor que tinha o dom da palavra e que durante a aula o fazia permanecer atento aos conteúdos de uma forma entusiasta, como se estivesse hipnotizado!

Muitos outros exemplos poderíamos enumerar… efetivamente os estados hipnóticos verificam-se na vida de todos os dias, sem que deles nos apercebamos. Nestes momentos a nossa atenção está focada em algo e envolvemo-nos nisso: uma ideia, uma preocupação, um estímulo físico, uma perceção, uma fantasia. Há um “desligar” da realidade externa, um abrandar do juízo crítico, a perceção de tempo pode sofrer alterações, um estado dissociativo pode ocorrer, conteúdos inconscientes podem surgir.